Quando falamos de correr bem, muita gente pensa em velocidade, postura ou respiração. Mas há um elemento essencial que costuma ser esquecido: como seu corpo absorve o impacto na corrida a cada passada.
Essa questão é tão importante que, ao pesquisar no Google, uma das perguntas mais feitas pelos corredores é: “Qual é o tênis com melhor absorção de impacto?”. Outra dúvida comum é: “Impacto da corrida faz mal para os joelhos?”. Essas buscas mostram que o corredor brasileiro está cada vez mais preocupado não apenas com performance, mas também com saúde articular e prevenção de lesões.
O que acontece quando seu pé toca o chão?
Toda vez que seu pé encosta no solo, uma onda de choque sobe pelas articulações do tornozelo, joelho, quadril e coluna. Essa força pode ser de 2 a 3 vezes o seu peso corporal. Seu corpo precisa absorver esse impacto de forma rápida e eficiente. Caso contrário, aumentam as chances de lesões como canelite, dores no joelho e fascite plantar.
É justamente aí que surge outra dúvida muito buscada: “Correr prejudica os joelhos ou a coluna?”. A resposta não é simples. O impacto da corrida não é, por si só, prejudicial. O que faz diferença é a forma como o corpo lida com ele. Estudos mostram que corredores com boa absorção conseguem treinar por anos sem desenvolver lesões graves. Já quem tem uma mecânica menos eficiente pode sentir dores precoces mesmo com baixo volume de treino.
A ciência por trás da absorção de impacto
Estudos em biomecânica mostram que corredores com alta taxa de impacto — impact peak (a força máxima no contato) e loading rate (a velocidade com que essa força aumenta) — têm maior risco de lesões por sobrecarga.
Mas não é apenas a força do impacto que importa e sim como o corpo lida com ela. É por isso que quando alguém pergunta “O que fazer para absorver melhor o impacto da corrida?”, a resposta envolve tanto fatores musculares e técnicos quanto a escolha adequada do tênis.
A boa absorção depende de fatores como:
- Ativação muscular adequada, especialmente do glúteo médio e da panturrilha.
- Posição do tronco e ângulo do joelho no momento da aterrissagem.
- Cadência (número de passos por minuto).
- E, claro, o tênis que você usa — que ajuda a atenuar o impacto, mas não faz milagre sozinho.
O que é uma “boa absorção” do impacto?
Aqui no Lab Lebre, usamos sensores inerciais para medir parâmetros como tempo de contato com o solo, oscilação vertical e simetria entre as passadas. Quando um corredor apresenta forte impacto inicial, pouca flexão de joelho ou assimetria entre os lados do corpo, geralmente está absorvendo mal o impacto.
Esse é o tipo de análise que vai além da percepção subjetiva. Muitos corredores se perguntam: “Como saber se meu corpo está absorvendo bem o impacto?”. Uma resposta prática está no som da sua pisada.
Se você corre fazendo muito barulho — aquele “batidão” seco no chão — é provável que esteja aterrissando com rigidez e absorvendo mal o impacto. Já uma corrida mais silenciosa costuma indicar que seus músculos estão amortecendo melhor a força e que há mais controle do movimento.
Não é apenas uma impressão. A ciência confirma: um estudo de Tate & Milner (2017) mostrou que usar o som da pisada como feedback em tempo real ajudou corredores a reduzir os picos de impacto e a força de carga durante a corrida — com efeitos imediatos após apenas 15 minutos de treino.
E não para por aí. Mesmo após fadiga, correr silenciosamente continuou sendo eficaz em reduzir os impactos da pisada — foi o que mostrou Oliveira et al. (2022) ao comparar corrida normal e silenciosa com sensores acústicos e cinemáticos.
Ou seja, “correr silenciosamente” pode ser tanto um indicador quanto uma ferramenta prática de boa absorção de impacto.
Tênis de corrida: até que ponto eles absorvem impacto?
Outra dúvida bastante buscada é: “Tênis de corrida realmente absorvem impacto ou isso é marketing?”. A resposta é: sim, eles ajudam, mas dentro de limites.
O tênis pode atenuar parte da força de reação do solo, especialmente quando conta com espumas responsivas e tecnologias como placas de carbono ou hastes rígidas. No entanto, é fundamental entender que o calçado não substitui a boa mecânica de corrida.
Alguns corredores acreditam que escolher o tênis mais macio é a solução, mas estudos mostram que nem sempre o máximo amortecimento gera a melhor absorção. Em alguns casos, ele pode até aumentar a oscilação vertical e, com isso, sobrecarregar outras regiões do corpo.
Aqui entra uma pergunta importante: “Qual tênis dura mais e mantém o amortecimento por mais tempo?”. Essa é uma preocupação comum no Brasil, onde os corredores buscam não apenas performance, mas também custo-benefício. A maioria dos tênis de corrida mantém desempenho ideal entre 600 e 800 km de uso, enquanto modelos com placa de carbono costumam ter vida útil mais curta, em torno de 300 a 400 km, já que são projetados para alta performance em provas.
Como melhorar sua absorção de impacto?
Muitos corredores digitam no Google: “Como reduzir o impacto da corrida nos joelhos?” ou “O que fazer para não sentir dor após correr?”. Essas buscas revelam a preocupação em transformar a corrida em um hábito seguro e duradouro.
Algumas estratégias baseadas em evidências científicas incluem:
- Aumente levemente a cadência (passos por minuto). Isso reduz o tempo de contato com o solo e melhora a eficiência.
- Trabalhe a força excêntrica do quadríceps e da panturrilha, com exercícios como saltos controlados e pliometria leve.
- Invista em estabilidade do core e glúteo médio, fundamentais para manter alinhamento e distribuir melhor as cargas.
- Escolha um tênis adequado ao seu padrão biomecânico. Nem sempre o mais amortecido é o melhor — em alguns casos, um modelo mais estável pode proteger mais o joelho.
- Corra com consciência corporal. Evite “bater o pé” ou projetar o tronco para trás na aterrissagem.
- Ouça sua corrida. O som da pisada é um feedback valioso e gratuito para ajustar a técnica.
Impacto, prevenção de lesões e longevidade na corrida
Uma das perguntas que mais aparece é: “Correr todos os dias faz mal por causa do impacto?”. A resposta é: depende. Se houver recuperação adequada, técnica eficiente e progressão gradual de volume, muitos corredores conseguem treinar diariamente sem dores. Mas se a carga é alta demais para a capacidade de absorção do corpo, os riscos aumentam.
Por isso, medir e entender o impacto não é luxo, mas necessidade. Quem corre pensando no longo prazo precisa se preocupar menos com a velocidade imediata e mais com como o corpo lida com cada passada.
Absorver bem o impacto é o que separa uma corrida fluida de uma corrida que gera dor e frustração.
Conclusão
A boa notícia é que a absorção de impacto pode ser treinada, medida e melhorada com ciência. O corredor brasileiro está cada vez mais consciente disso, e é justamente essa consciência que diferencia quem evolui de quem se machuca.
Se você sente que está sempre “levando porrada” a cada passada, talvez seja hora de analisar como sua biomecânica interage com o seu tênis de corrida e entender como seu corpo está lidando com o impacto.
Aqui no Lab Lebre, medimos o que o olho não vê. Nossa análise biomecânica mostra em números aquilo que você sente na pele, ajudando a escolher o tênis certo e a corrigir padrões que aumentam o risco de lesão.
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Autor: Gustavo Jacob Lourenço
Referências:
Tate JJ, Milner CE. Sound-Intensity Feedback During Running Reduces Loading Rates and Impact Peak. J Orthop Sports Phys Ther. 2017 Aug;47(8):565-569.
Oliveira AS, Pirscoveanu CI, Rasmussen J. Predicting Vertical Ground Reaction Forces in Running from the Sound of Footsteps. Sensors (Basel). 2022 Dec 8;22(24):9640.